A religião fora da religião

O que caracteriza um movimento como religioso? A amplitude que a resposta para esta pergunta pode adquirir é tão vasta como (e talvez justamente por isto) bonita. Ainda assim, muitas delas possuem características em comum. Com esta afirmação não quero dizer que elas concordem nesta característica comum, mas sim que elas se debruçam sobre uma mesma questão, de maneira intencional ou não. Um exemplo: tanto o hinduísmo como o catolicismo acreditam numa existência depois da morte, mesmo tendo noções muito diferentes desta vida espiritual. Podemos então dizer que estas religiões possuem este aspecto comum: a crença que existe algo além da matéria. Esta é, de fato, uma característica quase universal dos movimentos espiritualistas, e pouco sentido haveria em uma religião se assim não fosse. Existem, no entanto, alguns traços não assumidos que muitas religiões carregam, que não são óbvios à primeira vista. Além disso, estes aspectos possuem a curiosa capacidade de existirem em movimentos que não são declaradamente religiosos. Este artigo tem como objetivo analisar alguns destes aspectos e mostrar sua existência fora da religião. Uma comparação com o ponto de vista da filosofia é quase inevitável, e portanto classifico este post nesta interseção.

Antes de começarmos, gostaria de esclarecer que não são todas as religiões que possuem as características que serão descritas. Algumas possuem umas e não outras; outras possuem todas. A intensidade no qual estes aspectos se apresentam também varia enormemente. Além disso, não os ressalto com o intuito de diminuir as religiões que os possuem pois, mesmo assim, ainda vejo os movimentos religiosos com grande respeito.

Os Dogmas

Qual é a diferença mais óbvia entre a filosofia e a religião? Esta me parece ser justamente a postura diante da dúvida: enquanto a filosofia encara a incerteza inerente à existência como parte do jogo e investiga todas as possibilidades, a religião se agarra à uma perspectiva, e não larga. Esta rigidez de princípios está explícita em seus dogmas. Porém, nem todas as religiões evidenciam quais são seus dogmas, e nem mesmo que eles existem, pois admiti-los é equivalente a assumir que precisamos aceitar algumas ideias como verdade, sendo impossível provar que realmente são . Neste aspecto, o catolicismo merece crédito por já há muito ter se organizado de forma a deixar claro alguns dos seus dogmas, e aqui não estou entrando no mérito deles serem bons ou ruins. De fato, admitir a existência de um dogma é, em partes, semelhante à escolha de axiomas em teorias físicas (para um exemplo dos axiomas da Física Quântica, veja este outro artigo). A diferença fundamental é que uma teoria física é “maleável” com seus axiomas: se algum axioma for refutado então um novo entra em seu lugar e a teoria segue seu rumo, sem se sentir ofendida. Já na religião, se um adepto não se sente confortável com algum dogma, que procure outra, pois esta não irá mudar.

Você, caro leitor, já parou para refletir e organizar quais são os dogmas da sua religião? E, caso você seja convictamente não espiritualista, isto é, que seja adepto da filosofia materialista, já parou pra pensar que esta visão também possui dogmas? Afinal, se a ciência ainda não foi capaz de (ou não quis) provar a existência de um mundo espiritual, isto certamente não garante a não existência deste. Portanto, uma crença rígida de que nada existe além da matéria carrega um caráter essencialmente não-científico, tem todas as características, e merece o nome de dogma. Digo que possui um caráter não-científico porque, diferentemente das religiões em geral, a ciência sempre admite a possibilidade de estar errada (ou limitada) e esta é uma das diferenças fundamentais entre ciência e religião. Uma rigidez ao materialismo é portanto, neste sentido, uma atitude contrária ao espírito científico. Este é um exemplo claro de uma característica inerente à religião, o dogma, que se manifesta fora dela. Esta crença dogmática é por vezes chamada de cientificismo.

Proselitismo e Sectarismo

Uma outra característica presente na maioria das religiões é o proselitismo, isto é, o empenho em “converter” outras pessoas. O afinco nesta prática é diferente dentre os movimentos religiosos, sendo mais intenso em uns- como nos protestantes, testemunhas de Jeová, católicos etc- e menos intenso em outros- como no espiritismo e em várias religiões orientais.

Em geral, o proselitismo é proporcional e está diretamente ligado ao sectarismo, isto é, no “isolamento” desta comunidade religiosa em relação à sociedade. Uso a palavra isolamento de maneira não literal, apesar de existirem casos onde há, de fato, o distanciamento físico. Me refiro a práticas do cotidiano que passam a ser cada vez mais restritas ao círculo religioso específico. Os exemplos são vários: a associação conjugal, que passa a ser restrita aos membros; a leitura de livros, que se restringe aos da religião; a apreciação de músicas, que também se limita; a escolha de roupas que são consideradas mais ou menos “adequadas”, e por ai vai. Estes atos limitantes frequentemente são implícitos, isto é, não estão em um mural de regras na parede, mas se desobedecidos geram um mal estar na comunidade.

Por que os movimentos religiosos são frequentemente proselitistas e sectários? A resposta mais óbvia é que este é um esforço para angariar e manter seus adeptos no caminho que eles consideram correto. A resposta implícita é de que a não adesão levará à perdição, ao erro, à infelicidade e à “condenação” do espírito. Para além disso, não raro são os casos onde há interesses menos dignos, como poder e riquezas materiais.

A Sociedade de fins gerais

Os estudiosos de sociologia afirmam que é possível classificar a formação de sociedades dividindo-as em duas categorias: as sociedades de fins específicos ou as de fins gerais (Ver “Elementos de teoria geral do estado”– Dalmo de Abreu Dallari). Para exemplificar, vejamos alguns exemplos simples. Uma ONG cujo objetivo é prestar ajuda a animais abandonados tem um propósito bastante específico. Uma sociedade é formada em torno desta ONG de pessoas com este objetivo comum e a sua organização, distribuição de tarefas e recursos financeiros caracteriza uma sociedade do primeiro tipo. Já a sociedade de um país, por exemplo, se caracteriza no segundo tipo. Por diversos motivos (sustento material, saúde, segurança, bem estar em geral) uma sociedade sempre surgiu quando um número significativo de humanos se reuniu num mesmo território. Esta sociedade, gerenciada por um poder (também chamado de Estado), é do segundo tipo pois não tem um fim específico. Tem como propósito garantir que os seus membros tenham as condições necessárias para buscarem sejam lá quais forem seus objetivos pessoais, desde que não se fira outro membro neste processo. Estas sociedades, as de fins gerais, são também denominadas de sociedades políticas.

Em movimentos religiosos altamente sectários é natural que surja uma sociedade do segundo tipo dentro do movimento religioso. Esta sub-sociedade se comporta quase como um “Estado” autônomo dentro do Estado maior, com “leis” e costumes próprios. Todos os hábitos são tão regulados e característicos; a hierarquia é tão implicitamente bem definida; os objetivos desta sociedade religiosa passam a abranger tantos aspectos da vida do adepto que a adesão é quase compulsória. Além disso, curiosamente esta sociedade religiosa também passa a conter aspectos políticos. Dentre eles, competições e rixas entre agrupamentos diferentes, com líderes diferentes e acusações entre si.

O medo

Esta é uma característica, infelizmente presente, porém nunca explicitada, em diversas religiões. O medo de que, se não seguidas as regras estabelecidas pela comunidade, algo terrível acontecerá. Um exemplo é a noção de inferno, presente em várias religiões cristãs (não todas, porém), em especial no catolicismo. Não nego que uma má conduta possa ter de fato consequências desastrosas, mas a maneira como isto é dito e ensinado dentro da comunidade faz toda a diferença. Afinal, por que seguimos uma certa conduta moral e não outra qualquer? A resposta ideal é de que esta conduta nos tocou de maneira especial; a compreendemos de tal modo a julgar que não existe outra maneira melhor de viver e que esta está de acordo com o nosso ideal de perfeição (chamemos este ideal de Deus ou não). Portanto, se uma comunidade usa da técnica dialética da difusão do medo para fazer com que seus adeptos “andem na linha”, é de se imaginar que pelo menos uma das seguintes possibilidades esteja ocorrendo:

  • Nao há base teórica sobre a moral suficientemente bem estabelecida. Se houvesse, bastaria explicá-la demonstrando sua forma prática de aplicação e auto-consistência, não sendo assim necessário o uso do medo;
  • Os membros da comunidade não questionam, ou não são permitidos questionar com suficiente profundidade sobre as bases filosoficas. Também aqui existe a possibilidade de que o membro frequente a comunidade por obrigação. Isto é, que se sinta pressionado a ir nesta comunidade como uma obrigação social;
  • Fruto de uma má intenção por parte dos dirigentes da comunidade.

Ainda, este medo pode ser apresentado de diferentes maneiras, não excludentes. O medo pode ser de algo no futuro longínquo, como por exemplo o medo de ir para o inferno depois da morte, como já mencionado . Como também pode ser de algo eminente, prestes a acontecer, como por exemplo o arrebatamento, que pode acontecer a qualquer momento e, aquele adepto que não estiver suficientemente engajado com a causa, poderá ser deixado para trás.

A iluminação

Em praticamente todos os segmentos religiosos existe a ideia de iluminação, isto é, de que os praticantes desta religião sabem de algo que o resto do mundo desconhece; foram capazes de interpretar os grandes sábios e a natureza de maneira única e privilegiada; possuem conhecimentos morais, ontológicos e metafísicos superiores aos demais; finalmente, que sabem diferenciar claramente o certo do errado. Em algumas religiões vemos um posicionamento (que talvez possamos chamar de humildade) de admitir que, apesar da sua iluminação, não conhecem a verdade em sua totalidade e que outras religiões podem conhecê-la em parte. Estas, lamentavelmente, são exceções à regra. Em outras, vemos um monopólio da verdade. Estar fora desta religião é, na visão dos adeptos, garantia de um futuro espiritual desastroso.

Perceba, caro leitor, como as características religiosas destacadas neste artigo se entrelaçam, se fortalecem e são por vezes indistinguíveis. O aspecto da iluminação aqui salientado está diretamente relacionado ao medo de ser um ignorante. Relaciona-se também com a ideia de dogma explicada acima pois, se somos de fato um ser iluminado e conhecedor de verdades ocultas, é difícil admitir a possibilidade de estar errado e considerar outros caminhos como igualmente plausíveis.

Por fim, não podemos deixar de ressaltar que aqui entra também um aspecto psicológico e humano, sobre o qual não me aprofundarei, justamente por não ser da minha área do conhecimento. Por que queremos estar sempre certos? Por que este nosso desejo inconsciente, que se reflete nas nossas ações, de nos sentirmos superiores aos outros? O orgulho e a vaidade são aspectos inerentes de quase todos os seres humanos. São combatidos por algumas vertentes filosóficas/religiosas, como o cristianismo, que na figura do seu exemplo máximo está escancarada a virtude da humildade. São, porém, incentivados por um grande número de pessoas, que veem no Instagram ou no Facebook a necessidade da exposição, amiúde sob o pretexto de melhorar a autoestima e o amor próprio.

Um exemplo- O Terraplanismo

Nesta seção exploraremos um exemplo objetivo da nossa ideal central: a de que as características religiosas acima analisadas também existem em alguns movimentos não-religiosos. Para tal, escolhemos examinar o Terraplanismo. A minha visão sobre o terraplanismo mudou com o tempo. Como físico, sempre achei a ideia jocosa e divertida. No entanto, nos últimos anos presenciamos um aumento expressivo do número de terraplanistas e um destaque crescente na mídia, ainda que o tema seja quase sempre abordado de maneira burlesca. Neste ponto, comecei a ver com preocupação este fenômeno. Não obstante, mudei novamente minha visão, passando a encarar o movimento de um ponto de vista analítico, tentando entender a origem desta manifestação social. Foi assim que comecei a perceber algumas semelhanças entre o terraplanismo e a religião.

Talvez o aspecto que mais se destaca neste movimento, dentre os analisados acima, seja o da iluminação. Acreditam fortemente numa conspiração mundial, que visa impor a ideia da esfericidade terrestre, ditada pelos chamados “globaloides”. Assim sendo, um pequeno grupo de privilegiados intelectuais conseguiu sair da bolha e se viu como um “povo escolhido”, cuja terra prometida não jorrava leite e mel, como a dos judeus, mas se assemelhava em forma à uma pizza. O fator psicológico da vaidade de ser capaz de ver algo que quase ninguém mais viu é explícito neste movimento. Ademais, o medo de ser controlado por um grupo de pessoas com segundas intenções, sejam quais forem, é mais um apelo da comunidade.

Um outro aspecto que analisamos e que está muito presente no terraplanismo é o dogma. Vamos ilustrar o fato desta ideia pseudocientífica ser um dogma com um exemplo. Num documentário da Netflix intitulado “A Terra é Plana”, um grupo de terraplanistas procura formular e executar experimentos que supostamente provariam que a Terra é plana. Num destes experimentos, foi proposta a ideia de usar um giroscópio para provar que a Terra não gira. Primeiramente, expliquemos o que é um giroscópio. Usando o princípio de conservação do momento angular, este aparelho tem como objetivo mensurar mudanças de direção. Um giroscópio simples é composto de um objeto que gira com grande velocidade em torno de um eixo de rotação. Esta direção é preservada pela conservação do momento angular. Assim, independente de como movemos o giroscópio, ele estará sempre apontando para a mesma direção e portanto conseguimos mensurar ângulos de rotação com precisão. Este aparelho é amplamente utilizado em celulares, por exemplo, para detectar rotações, como quando giramos nosso celular e ele muda para o modo horizontal. Voltemos aos terraplanistas do documentário. A ideia deles era utilizar tal aparelho para provar que nada está girando e que portanto existe um furo na ideia globalista. Os experimentadores em questão adquiriram um giroscópio bastante sofisticado e esperavam obter sucesso no seu experimento. No entanto, o resultado foi bem diferente: o giroscópio mostrou que a Terra gira 360° a cada 24h, exatamente o que uma Terra esférica deveria fazer. Isto foi suficiente para os terraplanistas admitirem que a tese da Terra plana é infundada? Não. Prontamente foram elaboradas diversas teorias mirabolantes do porquê do aparelho não estar funcionando corretamente. Fica evidente aqui a condição de dogma do terraplanismo. O formato plano do planeta é encarado como uma verdade absoluta e inquestionável, sendo mais prudente, na visão deles, questionar evidências científicas obtidas por eles próprios do que suas ideias.

Para ilustrar o conceito de formação de uma sociedade de fins gerais, discutido acima, vejamos um exemplo concreto e bastante curioso no terraplanismo, que ilustra inesperadamente bem a nossa tese. Existe uma comunidade terraplanista chamada Dákila Pesquisas, que fundou um local chamado Cidade Zigurats, onde esta comunidade vive. Esta “cidade” está localizada no município de Corguinho, em Mato Grosso do Sul (imagem desta comunidade abaixo).

Esta comunidade foi fundada em 1997 e tem um objetivo bastante vago e ao mesmo tempo ambicioso. Segundo o site da associação (Dakila Pesquisas), a Dakila Pesquisas “tem por finalidade, entre outras, promover o desenvolvimento econômico e social e o combate à pobreza e a miséria; realizar estudos e pesquisas, desenvolvimento de tecnologias alternativas, produção e divulgação de conhecimentos técnicos e científicos; desenvolver a experimentação de novos modelos sócio produtivos e de sistemas alternativos de produção, etc”. Uma das suas principais ideias científicas é a de que a verdadeira forma da Terra é plana e “convexa” (parece que o sentido empregado por eles para esta palavra não é o mesmo do sentido matemático). Eles explicam esta tese em um documentário chamado Terra Convexa (Terra Convexa – O Documentário – Dakila Pesquisas).

A comunidade abrigada na Cidade Zigurats tem todos os traços de uma sociedade de fins gerais, no sentido explicado acima. Não possuem um fim específico, mas sim um objetivo bastante amplo. Além disso, buscam criar uma maneira de viver diferente da usual, criando uma “ciência” nova, casas com “tecnologias” inovadoras, economia própria, etc. Rejeitam os métodos científicos tradicionais e se baseiam num método chamado por eles próprios de Ciência Lilarial. Segundo um artigo do site (A Ciência do Futuro: Lilarial – Dakila Pesquisas) “o termo lilarial faz referência à unificação das frequências eletromagnéticas dos multi-universos, realidades paralelas e da força moduladora. O Principal objeto de estudo da Ciência Lilarial é a convergência das ondas eletromagnéticas moduladoras do cosmo, ou simplesmente ondas moduladoras. O movimento do tecido cósmico e o que a nossa ciência tradicional chama de ondas gravitacionais, são na realidade, o movimento dessas ondas moduladoras, que são duas frequências positiva e negativa e duas polaridades[…]”. Como um físico, me parece que este texto foi tirado do site gerador de lero-lero (Lero Lero – O gerador de conteúdo com inteligência artificial). Vários conceitos desconexos- como multi-universos, frequências eletromagnéticas, cosmos, ondas gravitacionais- são usados ao mesmo tempo, sem nenhuma explicação técnica, sem nenhuma equação que modele esta teoria nova. Apesar de alegarem, segundo consta no próprio site, desenvolverem pesquisas há 20 anos na áreas de “matemática, física, física quântica, astronomia, astrofísica, biotecnologia, biologia, geologia, medicina, genética, história, sociologia, arqueologia, etc.”, não vemos sequer um artigo científico publicado no site. No documentário Terra Convexa, segundo os autores, diversos experimentos foram realizados e dados técnicos coletados. Estes “dados” estão disponíveis no link Dados Técnicos – Dakila Pesquisas na forma de um vídeo. Nenhum dado que possa ser considerado realmente técnico e que reforça a hipótese da planicidade da Terra é apresentado neste vídeo.

Além de uma ciência própria, esta comunidade procura desenvolver uma economia própria. Até uma moeda original foi inventada, e recentemente transformada em moeda digital, semelhante ao bitcoin (BDM Digital a criptomoeda que mais cresce no mundo – Dakila Pesquisas).

Considerações finais

A ideia deste artigo é a de explicitar algumas características presentes em diversos movimentos religiosos e argumentar que estes aspectos existem fora da religião. Examinamos o exemplo do Terraplanismo, um agrupamento de pessoas com objetivos não-religiosos mas que curiosamente manifestam ideias e comportamentos muito presentes em movimentos religiosos. Muitos outros exemplos poderiam ser dados de movimentos declaradamente não-religiosos mas que apresentam alguns dos aspectos abordados neste artigo, como por exemplo: noções matemáticas/platônicas de Deus; doutrinas rigidamente materialistas; extremistas políticos; dentre outros. Esperamos abordar vários destes exemplos em posts futuros deste blog.

Um leitor que desconheça a minha opinião sobre religiosidade e que leia apenas este artigo, talvez pense que eu esteja fazendo um ataque às religiões. Afinal, dizer que um movimento é sectário, dogmático, orgulhoso e que imputa medo nos seus praticantes não agradará seus seguidores. Certamente, porém, este não é o caso. Tenho grande respeito pela maioria das religiões e meu objetivo não é diminuí-las. No entanto, é no mínimo curioso que as características aqui abordadas coloquem a religião num limiar tão nebuloso entre fanatismo e conhecimento de verdades transcendentes. Isto talvez seja um reflexo de quão humanas são as religiões. Se de fato existe um mundo espiritual, imaterial, sublime e transcendente, seja ele o Reino dos Céus dos católicos; seja ele o Mundo Espiritual dos espíritas; seja ele o Vaikuntha dos hindus ou o Valhalla dos nórdicos, não resta dúvida de que a sua representação será sempre limitada e humana, refletindo nossos desejos e imperfeições de cada era. Que a religiosidade e a espiritualidade vivam neste limite é, de fato, um grande mistério. Afinal, poderia ser diferente?

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